A young girl crosses the street 

Poem by Rés - February 27th, 2020 

translation by Anna Israel

 

In the course of the night death

In the course of death day

In the course of life, death

In the course of death the gap.

 

In the course of death my life

The pain without any death

The pain filled with pleasure

The pain numbed from a single strike

 

In the course of my worthless self

JACKPOT

Hammerfisted by the left hand

I stumble against the lack of choice of myself

 

Another punch now in the gut

Misty clouds render above me

I’m blind from what I almost

Forget, I don’t recognize anymore

 

What keeps me alive, the untouchable

Memories, the right word,

Relentless, precise, precious,

I’ll turn this poem into the quest

 

For what will save me from my

own extinction. I know that

I can lose sight of myself. And to 

Make things worse, just see what meets the eye. 

The eye that locks me up. Detains me. 

Kills me alive. I dream. 

Righteousness! The path to the thing will 

make me remember, it’s tough, it doesn’t follow

 

Any known trail, 

melted amalgam, unpronounceable, 

Path with no path, urge 

with no focus, focus fading away 

 

With no punctuation, it doesn’t welcome stops 

Unqualified, fatidical – there’s no way 

I cannot find what I search for within 

Me, if my search is a re 

 

Solution, drive slaughtered in a 

single word: I lose myself in the course 

of my own self – wrapped 

in my worn out decisions

Fatidical Fatidical Fatidical Fatidical 

The urge to die haunts me 

Not the natural death, but the 

Passionless death, the lifeless death, of 

 

Those who stood back, of those who chose not to be 

A tasteless death of a shitty 

Life, a life in vain, a life that didn’t happen 

The coward death reluctant of stepping forward 

 

Gravestone of a cynic, engraved in 

pumice stone in a floating cemetery 

The deceased’s name is oozing 

The letters are being gone by the 

 

Wind, the fortune gust of wind is 

stripping his name, conducting its 

chariot through the fuzzy clouds of a 

dreary yearning, pathetic! 

 

In a cramped space of myself I can still 

feel the gravedigger chewing over the wet and warm 

soil, with his crooked cap, 

and baggy pants 

 

Shoes covered in oneiric mud, there 

he goes with his strained hands 

conducting the dry leaves’ cart through the 

corridors packed with souls 

 

The spectator of this silently brutal 

Extravaganza, peeks 

death hiding in between the already dead 

plants of pins 

 

On the discreet collars of the one who 

strolls, through the oyster cemetery 

of an ordinary ash 

wednesday of some other life.

Não sei nem por onde começar a falar de um dia como o de hoje - tentativa de colocar coisas para fora depois de um dia epifânico - depois de um dia realmente epifânico

Anna Israel

17 de agosto 2020

 

  1. Pedagogia - o que mesmo é isso?

  2. O que é o méthodo - o que é RES? O que mesmo RES está fazendo? Não vemos nada que RES está fazendo. É muito silencioso, é muito solitário, é visionário, é no osso, é muito amor, amor mesmo que não tenha retorno, mesmo que o retorno desse amor venha quando ele não estiver mais aqui, é um amor muito puro, como uma carta lançada ao mar, que um dia possivelmente alguém irá encontrar

  3. A questão que está em jogo NÃO É ACERTAR — não é eu conseguir fazer tudo certo e no final do dia ter um portão aberto, ter a logística da garra resolvida, ter um “parabéns” do Rubens. O que está em jogo aqui não é o acerto ! Não é o reconhecimento do outro ! O que está em jogo nas falas do RES é uma reestruturação profunda do meu DNA. É mover cada ossinho do meu corpo. É fazer com que aquilo que vaza, vaze a serviço do que eu acredito — é suturar as partes colapsando do meu corpo, transformar aqueles que estão próximos dele em serem humanos que tenham uma fala: é o que é uma fala? Uma fala é um corpo falante, é um corpo menos cindido, é um corpo consciente de suas limitações, é anti prepotente, é estar em sutura de si mesmo, é querer ser o que se diz, o que se diz acreditar, é estar em estado integral de si mesmo

  4. O bom é quando o discípulo deixa vazar o que ele é mesmo ! Percebo como lamentamos as broncas do Rubens, como lamentamos “errar”. Mas diante do mestre, a ideia de errar não é bobinha, não tem juízo de valor. O “erro” ao lado do mestre é o que possibilita o caminho para a nossa salvação. O erro é onde nós nos revelamos. O erro é fundamental para o mestre não porque o mestre é perverso, mas porque só aí é que tem espaço real para ação ! O lapso é o lugar mais precioso que temos, é o lugar onde as coisas se revelam sobre nós ! O lapso de RES é olhar um livro engasgado de páginas - o lapso de RES é entender, é ver que esse livro precisa sacrificar muitas páginas para existir dignamente no mundo. As ações do Rubens não são filosóficas porque ele se interessa e pensa em filosofia - mas porque ele desviou arduamente o caminho de sua cognição, ele rearranjou os trilhos para o caminho epistemológico de seu vagão.

  5. Quando RES diz: “eu faço esse tipo de mudança em menos de cinco minutos nesse livro”: o que está dizendo? Que é fodão? Está querendo se bajular para os outros o acharem bacana? Está querendo mostrar como seu nível plástico é alto? Tudo errado. Na verdade RES está justamente evidenciando a manobra que fez de deslocar uma energia do sintoma para um lugar de ação filosófica - ele conseguiu colocar nesse minúsculo espaço onde geralmente escorregamos, justamente o contrário, uma atenção e precisão cirúrgica. É o koan da árvore: onde achamos que não há mais perigo, é o lugar em que RES está mais atento ao perigo. A questão é que isso não é intelectual, ele não pensa para agir, isso foi condicionado em seu corpo, isso foi realmente alterado em sua genética. E é isso que sua pedagogia se propõe a fazer.

  6. Eu resisto e resisto em querer afirmar que sei, que sou alguma coisinha, que posso, que temos um poder, que existimos de alguma forma, que temos um lugarzinho, que sei que “abrir a porta do galpão não será tão difícil”- meu Deus, a serviço de quê? Quanta carência. O barato nessa vida é estar em carne viva para poder ser curada, para ser ressignificada, para ser qualquer coisa outra disso que sou hoje. A questão não é a porta do galpão abrir: a questão é a porta do galpão ser capaz de ME ABRIR.

  7. O que mais me constrange é que RES passa o dia inteiro dando broncas em nós que nós achamos ouvir, resistimos, nos redimirmos, trabalhamos, conseguimos, acertamos, pra no final do dia dormirmos sem nos darmos conta de que não tem absolutamente nada a ver com o que achamos ter acontecido. O que acontece diariamente na nossa frente, escancaradamente na frente do discípulo é a engenharia do milagre ! Rubens fala uma língua que não entendemos, Rubens move peças dentro de nós que nós mesmos não vemos.

  8. Transfusão de sangue

  9. Troca de um sangue por outro sangue

  10. Estar atento

  11. Estar atento para quê? Para quem!? Essas perguntas são todas erradas ! Estar atento como trabalho para ser a própria atenção e não a desatenção me ser, e não o sintoma ser toda a minha atenção.

  12. Tem que ser possível essa cirurgia nessa vida.

  13. Sacrifício

  14. Redenção

  15. Entrega

  16. Resistência

  17. Organização

  18. Clareza

  19. Obscuridade

  20. Segredo - perigoso

  21. Mentira: ficção

  22. Entender de uma vez por todas que a assistência que faço para RÉS é mesmo para mim - é uma ficção - estou mesmo aprendendo a operar em outra chave - levar isso ostensivamente para meus dias - ficcionar esse cachorro latindo atrás de mim !

  23. NÃO SE TRATA DE COISAS GRANDIOSAS - SÃO COISAS MINÚSCULAS - ESTAMOS FALANDO DO MINÚSCULO - O MINÚSCULO É ONDE MORA O FANTASMÃO E O FANTASMÃO É QUEM EU SOU MESMO. O FANTASMÃO É QUEM EU TENTO DIARIAMENTE DISFARÇAR - MAS O RUBENS SÓ CONVERSA COM O FANTASMÃO, EU FICO PUTA, FICO BRAVA GRANDE PARTE DAS VEZES E RESISTENTE AO PERCEBER QUE RÉS NÃO ESTÁ VENDO O QUE EU QUERO MOSTRAR, MAS VÊ O QUE QUERO ESCONDER, DISFARÇAR, mas que vaza o tempo todo no próprio ritmo do meu respirar. É o cheiro que exala de mim. Não tem como esconder, não tem como esconder do mestre - graças a Deus.

  24. Hoje eu só consegui abrir as portas do G2 com o Chiva não porque “nós podemos” fazer isso, mas pelo contrário, porque não podemos. — e no momento que eu entendi que não era “só encontrar a chave”, (algo que achava no início que resolveria a questão) e senti que aquilo era muito maior do que eu, que eu baixei a guarda, e entendi que aquela porta podia me salvar.

  25. Uma questão muito séria para ser levada em conta: eu me comprometi como responsável pela viagem e logística de uma garra industrial de ferro de 400kg que custou R$4.000,00 do Rubens. O Rubens pagou R$4.000,00 em uma peça que na semana passada eu estava perguntando qual era sua função. Hoje entendo a complexidade e sofisticação de sua pedagogia: essa garra de R$4.000,00 vindo de Presidente Prudente serviu para eu conseguir abrir a porta emperrada do galpão sem uso de mim mesma.

Tentativas de escrever sobre a última escultura de RES - depois de Richard Rorty

Anna Israel

03 de abril 2020

COVID-19

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Passei a noite olhando muitas vezes para a sua escultura nova, Rubens e ela me tira muito o fôlego. Tentei escrever sobre ela algumas vezes mas quando digo que ela me tira o fôlego é isso o que ela faz: ela faz com que eu tente e tente e tente e tente dizer alguma coisinha sobre ela, até eu perceber que não adianta eu querer falar sobre ela, pois a minha fala e ela são entidades completamente diferentes. É como estar diante de um ser nunca antes visto e curiosamente a projeção de sua sombra me dá a ilusão de uma figura humana, e eu o reconheço, e o cumprimento e tento trocar uma ideia com a simulação dele projetada pela sombra, mas de repente o ângulo da luz muda e a sombra muda junto, e não vejo mais nada, e percebo que toda aquela conversa nada mais foi que um delírio. Sinto que olhar para essa escultura é como olhar para uma coisa que minha mente quer muito codificar dentro de um lugar que ela conhece, mas a escultura parece querer dilatar um espacinho desconhecido dentro da minha cabeça e me implora para que eu permita que esse lugarzinho possa falar um pouco mais por mim, sua escultura compromete totalmente a minha vontade de falar, até que de tanto tentar falar, aqui eu estou, sem mais nenhuma fala, ou talvez sem mais nenhuma vontade, e agora talvez exista mesmo alguma fala que sirva de ferramenta nova para a dilatação desse lugar que desconheço. Em tempos de crise, essa escultura me parece surgir justamente enquanto o que todos estão temendo em relação à crise: o futuro absolutamente desconhecido que se faz presente. Sua escultura estressa e deixa evidente a minha angústia em relação ao que eu não sei - é como se o que eu não sei, que se manifesta enquanto uma ausência de algo, a latência desse espaço sem código dentro de mim, se corporifica diante de mim - e ainda que eu não saiba decifrar o que é, ainda que eu não saiba me comunicar na mesma língua que ele, eu o reconheço. Ou seja, o desconhecido não vai ser conhecido para mim somente ao se apresentar para mim, mas eu terei de me fazer desconhecida de mim mesma para poder enfim dialogar com ele. Essa escultura me parece isso: uma imagem escancarada em nossa frente do que todos estão chamando de desconhecido. E só vejo uma camadinha dela, me deslumbro e me aterrorizo ao mesmo tempo, por ver uma coisa capaz de me socorrer de um afogamento de mim mesma, e ao mesmo tempo me afoga toda vez que eu tento me aproximar dela com as ferramentas que estou habituada em usar. Todos os textos que tentei escrever antes desse foram a partir do que eu sabia dessa escultura, e eles simplesmente não funcionavam, eles não tinham verdade, ou melhor, eles eram a tentativa de encontrar a verdade da escultura, mas a natureza dessa escultura é justamente ela não ter uma natureza específica, ela é mutante, ela serve para quem conseguir usufruir dela, ela não serve enquanto uma verdade única a ser decifrada - ele serve para me dobrar ao avesso, ela serve para me esmagar ao tentar dizer sua verdade até eu me cansar de mim e enfim poder respirar um pouquinho o mesmo ar que ela — a escultura se repelia de mim ao tentar abordá-la a partir do que eu sei, a partir do que eu quero, a partir da minha arrogância, a partir do que quero dizer. Ela me obriga a dizer tudo que não quero dizer: sou limitada. Sou insuficiente. Não sei o que está acontecendo diante dos meus olhos - ou ainda, vejo coisas que não tenho recursos de articular, como é possível isso? Assim, opto por assumir que não sei, a serviço de dar a ela o meu discurso possível agora, a serviço de me assumir menor que ela. Só posso me aproximar dessa imagem a partir do que eu não sei de mim e dela, partindo do meu próprio desconhecido - já que é isso Rubens, o que você aceitou ser para você mesmo, sempre: você aceitou ser desconhecido para você mesmo. E por isso você trabalha incansavelmente para esse desconhecido, o mapeia, o alimenta, cuida dele, o distrai, o envenena, o ama, o venera... E assim, em tempos de crise em que estamos todos apavorados com o nosso desconhecido e o desconhecido do mundo, você nunca me pareceu tão alinhado com você mesmo. Não é uma questão de que eu não tenho critérios para falar da sua escultura ou do lugar que hoje você se encontra, mas sem dúvida, uma orla de critérios se esgotou, uma orla de critérios perdeu sentido diante do universo que sua obra inaugura. Uma língua chega a um fim.

Notas em o sentido da arte

Em muitas partes

Anna Israel

13 de março 2020

Sexta feira 

 

 

  1. Arte sensorial

“Ativação dos sentidos”.

Hélio Oiticica

Lygia Clark

Ernesto Neto

Olafur Eliasson

James Turrell

 

Sentido:

 

Penso que RES leva a ideia de “arte sensorial” para um patamar muito alto.

James Turrel talvez seja o supra-sumo disso que é chamado de um “artista sensorial”. Levou isso para um nível muito alto formal. Realmente acho ele um grande artista. O artista sobretudo muito sério. Um homem muito sério, muito comprometido com seu fazer - um puta artista do nosso tempo.

Mas no caso de RES o que acontece também toca o “sensorial” mas de modo muito interessante. Ainda que não esteja interessado em “arte sensorial” ou nos sentidos conhecidos. Justamente, ele não se interessa por nenhum sentido conhecido. O próprio sentido o desinteressa. Ele bica a bola do “sensorial” muito longe. Desafia os sentidos. Questiona o que sabemos dele - e faz isso sem ter necessariamente essa intenção. Pois “intenção” em questão aqui faz parte da orla dos sentidos, e os sentidos encostados por RES já extrapolam a intencionalidade, isto é, o controle - ainda que não estejamos falando também de descontrole.

Existem os artistas que se interessam por esse tempo - e penso que há uma relação disso com a nossa ideia de ter cinco sentidos. Cinco sentidos que conhecemos, ou o que fomos ensinados a ler como resposta imediata a esses sentidos. Há porém ao longo da história, homens que quiseram explorar todo resto da fauna de sentidos na experiência da vida. Dizem que há 32 sentidos - já conhecidos - no homem. Penso que um artista como Rubens, assim como uma artista como Jessye Norman, entraram na orla de sentidos que não nos foi ensinada a conceber, e por isso, diante da obra deles, há um choque muito profundo em nós com nosso estado de ciência. Há um choque de mim com o que eu consigo elaborar sobre mim. Como se eu conhecesse só cinco camadas de mim, mas diante da obra de RES, diversas outras camadas são ativadas, acordadas, estressadas, e assim passo a conhecer uma esfera de mim mesma que sempre parece desconhecida, ou desacordada em mim.

 

“Dentro da minha carcaça doméstica

e planejada arrebenta um nascedouro” - RES, em seu “Poema para Chiva: arrebentação”

“(...) Lembro-me de estar dirigindo de Tanglewood em uma noite de verão em 1987 (...), lembro-me de estar dirigindo dentro da noite e me perguntando que diabos eu iria fazer com a minha vida. Minha vida, uma vez atingida pelo espetáculo de Jessye Norman, foi posta sobre a parede. Minha vida se tornou, de repente, muito muito pequena, e dentro de sua pequenez, irradiava possibilidades. (...)” Trecho de crítica de Wayne Koestenbaum sobre Jessye Norman - tradução de A.I

Acho que também, para que uma obra gere esse tipo de implicação no sujeito, o artista teve que ser capaz de abrir mão do sentido que conhece de si mesmo. Abriu mão de suas leis, abriu mão de si, do que sabe, do que foi ensinado, do que é dito, e mesmo do que diz e do que faz, para poder ser operado por essas outras camadas inominadas dele mesmo. Acho que devem existir, na verdade, ainda muitos outros sentidos além desses 32 - e evidentemente até hoje só tivemos tecnologia para nomear ou alcançar os arcabouços dos 32, que já é um desconhecido para nós. Agora além desse desconhecido, também há um desconhecido do próprio desconhecido, existem sentidos da própria galáxia que operam em nós, já que somos uma partícula minúscula desse corpo galáctico. Podemos dizer que existem sentidos das estrelas que ressoam em mim e eu nem dou bola. Penso que de algum modo muito muito sofisticado, isso tenha muito a ver com ter uma vida espiritual. Isto é, conseguir construir uma vida que não mais responde aos sentidozinhos desse mundo, desse tempo, de um sintoma, de um tipo de carência, de um tipo de dor e responder à dor de um modo conhecido. Uma vida espiritual é a construção de uma vida em que o modo não como respondemos, mas como perguntamos em si já é outro. Uma vida espiritual é uma que está ciente da dor de uma estrela em outra galáxia ressoando em seu peito - e que tem que articular mecanismos muito sofisticados para lidar com essa dor. Pensamos que a dor é algo que é nosso, mas quem sabe nem mesmo a dor seja nossa, por isso penso mesmo temos que encontrar novos tipos de respostas para a dor que não sejam respostas tão autorreferenciais. E respostas enfim não autorreferenciais talvez sejam perguntas espirituais.

Susan Sontag sobre Camus.

Diz algo muito interessante. Sontag diz que Camus é um escritor menor pois ele não necessariamente entrou na escrita, mas usou a escrita para desenvolver suas ideias sobre a moral, usou da escrita para desenvolver seus pensamentos intelectuais. Sontag pensa que a beleza da discussão moral é irrelevante para arte ! O que eu acho uma elaboração genial e muito precisa !

Ela diz que a questão moral é uma questão menor na arte. E faz muito sentido considerando que a morada da arte é justamente o sem lei. Penso que para adentrar o sem lei, é necessário fazer pactos com agentes que extrapolam qualquer tipo de moralidade. Agentes a-amorais.

 

“Arte nem o alto pensamento é algo que se encontra em Camus. O que explica o apelo extraordinário em sua obra é uma beleza de outra ordem, é a beleza moral, uma qualidade não procurada por outros escritores do século 20. (...) Mas infelizmente, a beleza moral em arte é extremamente perecível.”

 

Tradução de Anna Israel de escritos de Sontag sobre Camus - no livro “Against Interpretation and other essays”.

 

  1. Para que serve a apropriação da história da arte para a arte? História da arte para quê mesmo? Qual o sentido talvez desse estudo para um artista? Qual o sentido de um modo de estudar a história da arte ? (Não estou aqui questionando Warburg, muito pelo contrário, estou questionando o uso que fazemos mesmo de saber da existência, por exemplo, de um Cézanne, Giacometti, Brancusi, em termos práticos)

A apropriação da história da arte no objeto plástico serve somente como recurso / ferramentas para poder ir para algum lugar. Me parece ser mesmo uma construção de uma tradição de um dizer. A roda hoje já foi inventada então não faz sentido não usá-la, usá-la como recurso para facilitar o movimento para chegar em um lugar ainda mais distante.

As manobras apresentadas pela história da arte são ferramentas essenciais para podermos prosseguir - mas não podem ser entendidas como nada além ou aquém disso.

O que estou tentando dizer aqui é que arte está muito além de soluções plásticas. Arte é muito maior do que manobras técnicas. Mas as soluções plásticas e manobras técnicas foram inocentadas ou descobertas justamente no processo árduo de navegar em direção a isso que chamamos de arte. É um pouco como em momentos de guerra que é extremamente rico para descobertas na medicina ou na tecnologia por exemplo. Isso seria uma analogia perfeita para a arte. Se envolver com arte (com o espírito) é estar entrando em um momento de guerra, é querer ser soldado de uma batalha, e nessa batalha podemos utilizar muitas armas já inventadas em batalhas anteriores para “facilitar” nosso caminho, mas o inimigo é invencível, ele renasce a cada instante, portanto, uma nova ferramenta sempre há de ser inventada. Não se passa por essa guerra somente utilizando as armas e tecnologias antigas. Essa guerra eminentemente carece de uma constante invenção de algo, de uma palavra perdida.

(Texto ainda muito confuso)

 
 
 
 
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